Assistente Social

Nossa entrevista com a Assistente Social foi agendada para dia 20 de maio as 15h. Chegamos bem próximos ao horário agendado e fomos atendidos poucos minutos depois. A mesma assistente que nos atendeu na primeira visita foi a mesma que esteve na nossa casa.

Dessa vez ela parecia bem relaxada, talvez por ver que ainda estávamos ali e isso deveria ser uma coisa boa. Ela começou perguntando o que achamos do curso. Dissemos que foi bastante esclarecedor. Então ela pegou nosso processo e deu uma olhada na ficha que preenchemos. Perguntou se queríamos reler e mudar alguma coisa. Dissemos que não, nossas escolhas continuavam as mesmas.

Nesse momento ela disse que o objetivo dessa entrevista era conhecer melhor quem somos e de onde viemos. Isso era importante para saber que tipo de familia tínhamos para oferecer. Então perguntou qual era nossa motivação para adotar um filho. Dissemos que era por desejo de termos uma criança em casa. Que queríamos ter nossa família. Então ela questionou porque não um biológico. Então dissemos que esse era também nosso desejo. Mas que queríamos também adotar. Ela perguntou se já havíamos tentando o biológico, por quanto tempo, se já havíamos feito tratamento para engravidar. Diante de várias negativas, ela pareceu se dá por convencida que era um desejo genuíno e não uma segunda opção.

Nesse momento ela fez uma importante afirmação. É preciso que vcs tenham em mente que não devem ter outro filho em um espaço inferior a um ano. Caso vc fique grávida durante o processo de adoção, disse olhando fixamente nos meus olhos, o processo de vcs ficará suspenso. Isso não quer dizer que vcs não poderão adotar, mas precisarão esperar até que o filho biológico tenha pelo menos um ano para voltar ao processo. Isso acontece porque a criança que irá viver com vcs vai demorar um tempo para entender que a família é dela, que aquele é um universo que a pertence. Se ela chegar e logo em sequência a mãe der o peito para outra criança isso pode ser muito doloroso para o filho adotivo. Ele pode achar que o outro é mais importante que ele e abalar profundamente o emocional da criança. Essa situação é muito séria e é importante que estejam cientes disso, disse em tom muito sério.

A partir desse momento começou uma série quase interminável de perguntas. Algumas vezes consultava nossa ficha pra relembrar algum dado sobre nossa casa, nossa renda ou alguma outra informação e depois voltava com mais perguntas. Havia um computador na mesa, mas estava desligado. Ela anotava tudo que falávamos em um caderno, desses de escola. Anotava com uma agilidade absurda, como quem faz aquilo ha muito tempo e sabe exatamente o que precisa ser registrado e o que não é necessário.

Em um certo momento eu não contive a curiosidade e perguntei: desculpe, mas porque a senhora não usa o computador? Ela deu um sorriso e disse que anotava nossas informações e que depois, ao digitar no computador ela poderia colocar também as impressões dela fazendo assim um relatório mais completo. Eu disse eu era uma técnica interessante. Ela sorriu e disse: também não digito tão rápido quanto escrevo. Na sequência voltou para seu rosário de perguntas.

Escrevo a seguir as perguntas que consigo me lembrar. Foram mais de duas horas de entrevistas, não me lembro de todas. Tudo que foi perguntado para mim, também foi perguntado para o meu marido

– Porque você saiu da sua cidade natal para São Paulo?

– Há quanto tempo está aqui?

– Qual o nome da sua mãe? Quantos anos ela tem? O que ela faz? Como é sua sua relação com ela?

– Qual o nome do seu pai? Quantos anos ele tem? O que ele faz? Como é sua relação com ele?

– Como é a relação dos seus pais? Há quanto tempo estão juntos (no meu caso, separados)?

– Qual o nome dos seus irmãos? Quantos anos eles tem? O que eles fazem? São casados? Tem filhos? Qual o nome e quantos anos tem os filhos deles? Como é sua relação com eles?

– Como é sua relação com tios e primos?

– Ainda tem avós? Qual o nome deles? O que eles fazem? Como é sua relação com eles?

– Com que frequência vê sua família? Como é essa convivência?

– Como avalia a situação emocional e social da sua família?

– Tem caso de adoção na família? Relate como se deu e como é a convivência

– Com qual idade começou a trabalhar? Conte seu histórico profissional

– Como é sua relação com seu chefe?

– Como é sua relação com seus colegas de trabalho?

– Você gosta do que faz?

– Como é sua relação com seus amigos? Fale um pouco dos seus três principais amigos

– Quantos relacionamentos amorosos você teve que julgam sérios? Como é sua relação com essas pessoas hoje?

– Há quanto tempo está casada? Como conheceu seu marido?

– Como avalia a relação de vocês?

– Como é sua relação com dinheiro?

– Qual seu principal passatempo? O que gosta de fazer nos finais de semana?

Ufa! Essas são as perguntas que me lembro.

Fomos o mais sinceros possível. Se fosse pra dar certo, deveria começar com a verdade. Isso inclui contar que era o segundo casamento de ambos, que meus pais são separados e por ai vai…

Ela anoto tudo, tudo, tudo. Acabava uma folha e virava para outra. Em alguns momentos consultava suas próprias anotações e voltava com uma nova pergunta.

No final narrou os próximos passos. Disse que faria um laudo a partir daquelas informações que seria anexado ao processo. O próximo contato seria feito pela área de psicologia para agendar a entrevista com eles.

Claro que perguntamos por prazo, mas ela foi categórica. Disse que não falam sobre prazo no Fórum, mas que podia me adiantar que a Dra. Dora fazia o possível para agilizar o processo.

Se despediu nos desejando boa sorte!

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2 comentários sobre “Assistente Social

  1. To apaixonada pela sua história. Eu e meu marido pensamos muito em adotar uma criança. Venho pensando isso há 1 ano. Obrigada de verdade por dividir sua experiencia com a gente!

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