Segunda Entrevista

Voltamos no final da mesma semana para falar com a mesma psicóloga. Uma observação, vá se preparando quanto aos seus compromissos pessoais porque todas as visitas ao Fórum são dias de semana em horario comercial. Geralmente aquele que mata sua agenda, tipo 14:30hs, saca?!

Ela veio nos receber na porta e me convidou para entrar primeiro.  Quando sentei ela disse: Li sua entrevista com a Assistente e vi que você foi abandona pelo seu pai aos 9 anos de idade. Gostaria de saber um pouco mais como isso aconteceu. Eu perdi o chão! Havia dito que meus pais se separaram quando eu tinha essa idade e que minha mãe é uma mulher de muita fibra que criou eu e meu irmão com muito carinho e bla bla bla. Mas dai ela disse a palavra ABANDONADA. Me recompus rapidamente e disse que vez por outra tinha contato com meu pai. Mas dai ela rebateu: se ele não proveu alimento, lar, carinho e acompanhamento, você foi abandonada. Eu fui muito sincera e disse que nunca havia visto por essa ótica, mas que ela tinha razão. Então ela me perguntou como me senti a respeito disso na época e como me sinto hoje. Engoli o choro e disse que na época eu tinha muito medo do meu pai e de não ter pai, mas ao mesmo tempo sabia que precisava ajudar minha mãe e que tinha um irmão mais novo que também precisava de mim. Então decidi olhar pra frente e seguir da melhor maneira possível. Hoje em dia eu entendo que ninguém dá o que não tem e meu pai não tinha amor pra me dar. Paciência, isso acontece.

Ela pareceu contente com a resposta e depois dessa porrada conversou sobre minhas expectativas como mãe, disse: vi que você gosta muito do seu trabalho, como pretende organizar casa e carreira? Eu disse de bate pronto: como toda mulher faz hoje em dia. Me virando, correndo, me culpando, rebolando, como manda a cartilha da mãe moderna.

Ela também quis saber porque não tive filhos no meu primeiro casamento e perguntou muito sobre o tempo que a nossa sobrinha, a Giulia, morou conosco. Também perguntou muito sobre meu relacionamento com o Age. Coisas como: se costumávamos ir dormir sempre juntos, se nos falávamos durante o dia, o que eu mais gostava nele o que eu menos gostava nele e coisas assim.

Então ela fez outro alerta: você e seu marido parecem muito apaixonados um pelo outro, tenha zelo pelo seu casamento porque a chegada de uma pessoa nova sempre abala uma relação que já tem sua rotina. Conversem muito e tenham paciência um com o outro. Achei muito carinhoso da parte dela dizer isso e mais tarde, já pais e mães, vimos o quanto isso é necessário.

Depois de uns 50 minutos ela disse que havia sido um bom bate papo e me pediu para chamar meu marido. Ele entrou logo em seguida e ficou lá por cerca de 30 minutos. Senti uma inveja enorme da objetividade dele. Então ela chamou nós dois para informar os próximos passos.

Disse que a entrevista havia sido muito satisfatória e que ela entendia que estávamos plenamente preparados para termos um filho. Em uma momento totalmente informal disse na sequência: vejo muitas crianças rondando vocês, sinto que o filho está por perto, então vamos logo entregar esse laudo. Minha cara foi de total incredulidade, nem tive coragem de olhar pro lado pra ver a cara do meu marido. Em questão de segundos sai do Fórum e cai em uma consulta espiritual. Rapidamente ela voltou a ficar mais séria e relatou como as coisas se seguiriam.

O laudo dela seria anexado junto ao processo e seria enviado para apreciação do ministério público. Lá ele seria lido e analisado, como uma auditoria, para verificar se todos os passos haviam sido seguidos corretamente e se o corpo técnico havia emitido laudos coerentes. Após essa análise o processo voltaria para o Fórum onde a Juíza iria vê-lo por completo e então, entendendo que estava tudo correto, emitiria a certidão Habilitação para Adoção e assim estaríamos inscritos no Cadastro Nacional de Adoção a espera do nosso filho(a).

Perguntei então qual seria o próximo contato deles e ela deu uma gargalhada e disse: ué, para vocês virem aqui conhecer a ficha da criança! Nesse momento eu tive que me conter para não dar um abraço nela.

 

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