Cá entre nós

Durante esse processo ouvimos algumas coisas pelos corredores e também por meio de pessoas que já adotaram. São temas mais polêmicos e por isso prefiro não citar as fontes.

– CNA: o Cadastro Nacional de Adoção foi criado em 2008 para reunir crianças e pretendentes em um mesmo banco de dados. Assim, um juiz ou quem ele determinar a tarefa, poderá cadastrar crianças e pretendentes no sistema, assim como fazer o cruzamento de “fichas” de pretendentes que ele tem em mãos para buscar crianças com o perfil determinado. Diz a lenda, que a Vara tem até 30 dias úteis após a emissão da Homologação do pretendente para incluí-lo no cadastro. O que se diz pelos corredores é que cada Vara faz o possível para segurar essas “fichas”. Chegamos a escutar uma expressão: “vão fazer de tudo para que você fique com uma criança da própria Vara onde está realizando o processo antes que te joguem aos lobos”. Não sabemos realmente como isso funciona, mas entendemos que não existe padrão no nível de preparação dos candidatos e assim faz sentido que o fórum que te preparou entenda que avaliou bem, que o pretendente está apto e por isso o interesse em encaminhar crianças da própria jurisdição.

– Meus direitos: Recebemos conselhos para termos cuidados no dia da ligação e no dia de conhecer a ficha da criança. Ficou claro que alguns fóruns ou profissionais que neles trabalham “forçam a barra” para que o processo aconteça. Para isso as vezes se omite algumas informações que estavam na ficha como restritiva pelo pretendente. Está registrado que quer uma criança branca e  apresentam uma parda, quer até uma idade mas apresentam mais velho, quer saudável mas apresentam com algum problemas que tentam minimizar ou pior, está sinalizado apenas uma criança mas existe uma insistência para conhecer irmãos. Os pretendentes tem assegurado o direito de ser respeitado o perfil determinado em sua ficha. Não há porque ceder a qualquer tipo de intimidação. Caso isso ocorra o melhor a ser feito é encerrar o contato com a pessoa e buscar a coordenação do setor.  Esse foi o conselho que recebemos, mas ao ouvir essa possibilidade eu rezei muito para que somente o Fórum João Mendes entrasse em contato conosco. Após conhecer a juíza e o corpo técnico eu duvidava muito que passaríamos por isso.

– Alô!?: Nos disseram que pesa bastante na percepção da Assistente a reação do pretendente ao atender o telefonema de convite para conhecer a ficha de uma criança. Escutamos uma coisa bem legal a respeito: “é como se a bolsa tivesse estourado, não é possível que a pessoa que esteve por tanto tempo esperando isso não tenha uma reação emotiva”. Só que esse é o momento do jogo e treino é treino e jogo é jogo. Mesmo passando por todo o processo, na hora do vamos ver algumas pessoas “amarelam” e dizem coisas como: tenho uma viagem marcada, ou estou mudando de emprego, ou mas já? A mais engraça que escutei foi a pessoa receber uma ligação de outro estado e perguntar se o Fórum poderia mandar a criança para ela conhecer. Acho que se fosse comigo eu diria: claro, vc quer por sedex simples ou sedex 10? Se você realmente está preparado e levou isso a sério eu juro é um dos momentos mais desorientadores da sua vida. Dá vontade de gritar, de chorar, de ser ponderado pra não parecer maluco e dai até o momento de “nascer” melhor preparar o rivotril meu amigo.

– Nome: a psicóloga nos informou que a partir dos 6 meses de idade a criança já se reconhece pelo nome, por isso é aconselhável que o nome não seja mudado. É um choque pra criança que já está passando por tantas mudanças. Além disso, o nome é parte do meio onde a criança viveu, é uma marca da sua identidade. Legal, tudo faz muito sentido. Mas dai rola a paranoia: e se vier um Josecleisson ou uma Marisvalda? Desculpem as pessoas que tem nomes estranhos, mas pôxa, a vida já é tão difícil e dai nem o nome ajuda!? Eu conheci uma menininha de um ano no abrigo que se chama Riana, fala sério! Complicado a pessoa ser presidente do banco central  ou CEO de uma multinacional com um nome desses. Eu só pensava na ministra Elen Greice ai ai…. Decidimos então que se tivesse um nome muito bizarro nós colocaríamos um nome curto na frente tipo João ou Ana e com o tempo deixaríamos a criança conhecer o nome e se identificar como quisesse. Mas lá no fundo sonhava em não ter que lidar com mais essa questão: ter um filho chamado João Setembrino. Demos sorte. Afinal, Tamires é lindo 🙂

 

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