Comoção Geral

Voltamos para casa, agora com a certeza que a Tamires era nossa filha. Passamos em uma loja e compramos mais umas coisas. Principalmente brinquedos. Não tinha NADA na nossa casa para ela brincar.

Chegamos em casa e ela quis ficar no quarto brincando. Mas não ficava sozinha, tinha que estar sempre eu ou Agê lá com ela senão ela começava a chamar TIAAAAAA. Ela chamava tanto eu quanto o Agê de tia. A assistente nos disse que tia é a única palavra que ela conhece pra determinar quem cuida dela. Ela não sabia o que significava mãe ou pai. Então deveríamos ter paciência porque ela nos chamar de “tia” já era uma demonstração de carinho. Mas toda vez que ela nos chamava nós carinhosamente dizíamos: não, eu não sou sua tia. Sou sua mamãe (ou papai).

Contando assim pode parecer tudo muito surreal. Mas eu juro que tudo vai acontecendo naturalmente. Ela aprendendo a ser filha e nós aprendendo a sermos pais.

Depois que ela brincou um pouco a levei para tomar banho, numa banheirinha inflável que compramos. A primeira providência foi pegar uma tesoura, dessas de unha, e cortar os elásticos que  prediam com força o pouco cabelo que ela tinha. Foi uma luta tirar porque estavam realmente muito apertados. Enfim, com o cabelinho solto! Ela deu um sorriso fofo quando passou sua pequena mão pela cabeça e sentiu seus cabelos livres.

Tava bem preocupada porque ela estava comendo bem pouco, ao contrário do que havia visto no abrigo. Então decidi roubar no jogo. Fiz uma sopinha com macarrão de letrinhas e foi um sucesso. Prato limpo! Novamente às 20h30 levamos ela pro quarto. Demos beijos e abraços e ela se deitou tranquila e segura para mais uma noite de sono.

Decidimos então que era o momento de informar a família. Primeiro ligamos para minha mãe. Fiquei escolhendo as palavras até ela atender, mas na hora só disse: mãe, tá sentada? Ela já berrou do outro lado: o que aconteceu? Então eu disse: sua neta chegou! É uma menina, se chama Tamires e tem 2 anos e 3 meses. Um rápido silencio do outro lado foi interrompido por um grito muito alto: AI MEU DEEEEUS. Foi só o que consegui escutar. O resto foi só choro. Do lado de lá e do lado de cá. Aos prantos minha mãe dizia que estava tão feliz! Foram uns 15 minutos de lidas palavras de benção em meio a um choro compulsivo. Me emociono muito ao lembrar o quanto ela foi incrível, verdadeira, companheira. Na sequência já queria pegar as malas e vir pra SP. Então foi o momento de dizer que precisaríamos ter calma. A assistente nos orientou a introduzir devagar as pessoas na vida da Tamires. Se ela não sabia o que era mãe e pai, imagina vó, vô, tios, primos. Iríamos o mais breve possível para Belo Horizonte, mas precisávamos de uns dias. A muito contragosto minha mãe concordou. Claro que a seguir começou o rosário de perguntas de avó para mãe de primeira viagem: já deu banho? ela tá comendo? não teve febre com essas mudanças todas? como é a mãozinha dela? e o cabelinho? Já comprou um casaquinho? criança nessa idade não pode pegar friagem. Filha, não fica brava com a mãe, mas você tá dando conta? Hahahaha delícia, tava doida pra ouvir esse tipo de disparate que só minha amorosa mãe tem o direito de fazer.

Na sequência Agê ligou para mãe dele e, adivinha? Praticamente tudo a mesma coisa. Gritos, alegria, muita ansiedade, perguntas. A pequena diferença é que minha sogra é mais controlada que minha mãe (ou finge melhor) e aceitou esperar um tempinho para conhecer a neta.

Em poucos minutos o telefone tocou várias vezes, nossas mães contaram pra metade da família e o pessoal ligava para dar os parabéns. Ficamos muito felizes e nos sentimos acolhidos, acreditamos que a Tamires também!

No dia seguinte fui trabalhar. Meu chefe veio logo me perguntar se estava tudo bem já que não havia ido no dia anterior. Eu dei um sorriso tão revelador que ele disse: é menino ou menina? Fiquei segurando as lágrimas e disse que era menina. Ele disse: vamos organizar logo sua saída. Contei somente para ele e para meu amigos mais queridos do trabalho. Estava pensando na melhor maneira de falar pra galera.

Para minha sorte no início da tarde a luz acabou e, sem previsão de volta, fomos dispensados. Então eu vim pra casa e fizemos, eu e Agê, um post no facebook pra contar a novidade pros amigos conectados. Foi uma avalanche: pessoal comentando com um carinho enorme. Pessoas que não conhecíamos mandando os parabéns, amigas e amigos ligando aos prantos. Foi uma tarde de muito choro e emoção. Sabíamos que as pessoas iriam reagir de alguma forma, mas nada parecido com o que aconteceu. Foi realmente incrível.

No dia seguinte foi impossível trabalhar. Todo mundo vinha com perguntas, abraços, presentes e mais presentes. O carro ficou abarrotado de roupas e brinquedos. Os queridos Fiuza, Godoy e Mariana ainda me mataram do coração dando de presente o jogo de quarto. Tudo lindo demais! Cheguei em casa e mais presentes chegavam por sedex e entregas diversas.

De um dia para o outro a Tamires passou a ter um quarto lindo, muitas e muitas roupas e brinquedos de todos os tipos. Mas o mais importante: ficou muito claro que seria uma criança muito amada não só por nós. Já chegou arrebatando todos os corações =)

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5 comentários sobre “Comoção Geral

    • Oi ju, na verdade o emocionante foi o dia que ela deixou de chamar de tia. Desde que ela chegou nós sempre falávamos que não era tia e sim pai e mãe e ela, tão pequenininha, repetia meio sem entender o que era aquilo. Então as vezes chamava, o timãe. hehehehe. Foi desde sempre que ela chamava de mãe, mas porque pedíamos. O dia que ela esqueceu a palavra tia, e isso demorou um mes mais ou menos, foi motivo de comemoração =)

  1. Olá! Muito prazer em conhece-la!
    Estou em casa me recuperando de uma cirurgia ( histerectomia), e acabei de ler sua trajetória linda! O domingo que já esta lindo aqui no Rio, ficou ainda mais iluminado!
    A proposta da adoção sempre existiu na minha vida, independente da minha impossibilidade atual de ter filhos. Nesse momento tenho aqui cuidando de mim uma tia adotiva, a minha avó foi meu primeiro grande exemplo.
    Depois veio minha escolha profissional, sou assistente social, que derrubou definitivamente os poucos mitos que existiam.
    Lendo histórias como a sua, fico mais forte e determinada. Sua felicidade é contagiante!!!!
    Parabéns! Que Deus abençoe sua família linda!
    Beijo grande para Tamires!
    Fique com Deus!!!!

    • Obrigada pelo carinho Katia. Espero que se recupere logo. Durante esse processo eu aprendi a respeitar muito o trabalho das assistentes sociais, vc deve se orgulhar muito da sua profissão. Espero que um dia encare o processo e seja tão feliz como somos hoje.
      bjs,
      Cris

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