Na intimidade do lar

Meus pais sempre foram muito carinhosos comigo e meu irmão. Sempre muito beijo, sempre muito abraço, sempre muitas declarações de amor. Tive a sorte de me casar com um homem muito carinho também e claro que isso seria transmitido naturalmente para Tamires. Mas ela já tinha dois anos, como seria isso? Não saberia ser diferente, reproduzi exatamente o que meus pais foram comigo. Beijinhos na boca e banhos juntos aconteceram logo que ela chegou e quando o Age se sentiu mais confiante começou a agir assim também.

É incrível como para a Tamires isso sempre soou natural. Como se ela só estivesse esperando a gente chegar, lá, prontinha.

Historinhas na hora de dormir é um ritual diário. Ouvir eu te amo, vc é o amor da minha vida, vc é muito importante pra mim já era de praxe desde o início.

Dai um dia estávamos no carro. Um silêncio, todos quietos e em um momento qualquer ela disse: papai. Ele respondeu sem tirar os olhos do volante: oi filha. E então ela disse: te amo!

E foi assim que entendemos que estávamos no caminho certo.

Não é por ser minha filha não, mas hoje ela é a garotinha mais carinhosa que conheço. Os amigos costumam comentar sobre isso e eu digo pra ela que só tenho um arrependimento na vida, não ter trocado o nome dela para mel =)

Acompanhamento pós adoção

Já haviam quase três meses que a Tamires estava conosco quando uma assistente social entrou em contato. Ela disse que nos faria uma visita para acompanhar a integração da família. Informou que seria importante todos nós estarmos em casa, prometi um café fresco e marcamos a data.

É estranho, por mais que estivesse tudo bem, ficamos um pouco tensos. Claro que o sentimento é que você será avaliado, mas não foi bem assim. A assistente chegou na hora marcada, tirou uma caderneta e anotou os pontos principais da nossa conversa.

Pra começar, logo de cara, ela nos acalmou. Deixou bem claro que a visita era pra nos ajudar e não nos avaliar. Ela queria saber sobre as principais dificuldades, os desafios, como a Tamires estava aceitando as mudanças, como o casal estava vivendo esse momento. Ela reforçou que a chegada de uma criança muda tudo (e como!) e que era importante encarar de forma normal até as inseguranças.

A sensação que eu fiquei é que a visita era mais pra nos amparar que qualquer outra coisa. Muitos pais desistem dessa empreitada e as crianças acabam voltando pro abrigo. Ninguém quer isso. É doloroso e frustrante pra todos os envolvidos. Por isso essas visitas são realmente necessárias e bem vindas.

A visita deve ter durado uns 30 minutos. Ela nos informou no final que teria prazer em fazer um relatório muito positivo sobre nossa experiência, que estava claro pra ela que já formávamos uma família. Concluiu dizendo que a psicóloga entraria em contato pra fazer a avaliação dela e o processo continuaria.

Mais ou menos 30 dias depois a psicóloga marcou um horário para irmos ao fórum. A conversa seguiu o mesmo rumo da visita da assistente. Ela ficou muito feliz em perceber que a Tamires já nos chamava de papai e mamãe e ver o quanto estávamos felizes. Nos disse que seu parecer também era muito positivo e até nos perguntou se gostaríamos de contar nossa experiência para futuros pais e mães no curso oferecido pelo fórum. Ficamos muito orgulhosos de nós mesmos!

Ao final ela nos informou que os laudos seriam anexados ao processos e encaminhados para o ministério público para vistoria e aprovação. Assim que retornasse ele seria encaminhado para a juíza que então daria o parecer final. Só então poderíamos tirar a nova certidão de nascimento.

Bora esperar mais um pouco.