Uma nova fase no blog

Acredito que tenha conseguido contar em ordem cronológica como foi o processo de adoção da Tata. Falei de cada fase, de cada sentimento, de cada conquista na ordem que elas aconteceram.

A partir de agora, o blog vai falar do dia a dia de uma criança comum, numa família comum. Mas sempre falando um pouco da adoção. Questões como preconceito racial, medo, preocupações e certos delírios que já são naturais de pais, mas que ganham um contorno ainda mais interessante nessa esfera.

Espero que vcs ainda fiquem por ai =)

Chegoooouuuuu

eu sei… eu sei… sumi….deixa contar um capítulo bem legal.

Quase um ano se passou da chegada da Tamires e nada de certidão. Um dia eu liguei no Fórum determinada a resolver tudo. Pensei em várias mentira e achei uma que acreditava ser perfeita. Diria que iríamos fazer uma viagem internacional e que precisávamos da certidão para tirar o passaporte. Toda história montada na minha cabeça.

Liguei na assistente social que havia feito a visita na nossa casa. Ela consultou o processo e disse que já deveria estar voltando da avaliação final do ministério público. Pediu que eu aguardasse.

Não satisfeita, na maior cara de pau do mundo, eu liguei na sala da Dra. Dora e pedi pra falar com ela. Claaaaaro que eu sabia que isso era inviável. Mas a secretária perguntou do que se tratava e eu disse que gostaria de saber sobre a retirada da certidão. Ela pediu um momento e eu já esperava a mesma resposta da assistente quando a pessoa do outro lado da linha diz: Alô, aqui é a Dra. Dora, pois não?

Quase cai da cadeira. Como assim uma juíza atende o telefonema de uma reles mortal?! Toda gaguejando fiquei com vergonha de contar a mentira e só perguntei sobre a certidão. Ela disse então: Olha, tá aqui na minha mesa. Tô assinando agora mesmo. Pode vir buscar e aproveita pra trazer a Tamires pra eu conhecer.

Pensa numa pessoa petrificada. EU! Não sabia o que falar, comecei a chorar e pedir desculpa e sei lá mais o que. Ela pacientemente dizia que estava feliz com nossa felicidade e desligou marcando para o dia seguinte a visita.

Chegamos os três todos pomposos no Fórum. A Tamires ficou meio séria a princípio mas eu disse que por conta daquele lugar é que havíamos nos conhecidos e que a Dra. Dora ela a fada madrinha que havia nos apresentado.

Depois de esperar brevemente ela manda nos chamar em sua sala. Pega a Tamires no colo, abraça beija. Pergunta pra gente como vai a vida. Pede pra tirar uma foto com o celular dela. Pedimos pra tirar uma também. Vai até a mesa, paga um papel e nos entrega. Se despede dizendo: quando vão voltar pra pegar o irmão ou irmã da Tata? E sorri.

Esse papel é endereçado ou cartório de registro civil onde está a certidão original da Tamires. Levamos o documento lavrado no cartório do Fórum e lá eles fizeram na hora a certidão nova da Tata. Com nosso nome, com o nome dos nossos pais e sem nenhuma informação adicional. Uma certidão como outra qualquer. Mas não para nós.

Aquele papel desencadeou um chororo danado, um post no facebook, uma ligação pros avós, uma foto segunda o papel, um bolinho pra comemorar. A certidão sacramentou o fechamento de um ciclo. E estávamos muito felizes com isso.