A escola

Três meses após sua chegada, decidimos que era hora da Tamires retornar a escola. Ela já estava na escolinha no abrigo e rompeu sua rotina para se adaptar a nova família. Ao final de quatro meses eu deveria voltar ao trabalho e então entendemos que ficar meio período durante um mês, para depois ir para o integral seria uma transição mais suave.

Como o ano letivo já havia iniciado, não tivemos muita escolha senão colocá-la na escolinha que tinha vaga. Por sorte era bem perto de casa. Fomos lá, conhecemos, conversamos sobre nossa família e fomos muito bem recebidos. A diretora da escola nos disse que haviam outras três crianças adotadas na escola, sendo duas delas irmão e a terceira adotada por um homem solteiro. Confesso que foi bem mais confortável saber que não era uma novidade para a diretora e as professoras lidarem com essa constituição de família.

O dia de início da aula foi se aproximando e uma grande angústia foi crescendo. Será como ela reagiria? Nosso principal medo era que ela sentisse que estava sendo abandonada. Afinal, existiam várias semelhanças entre a escolinha e o abrigo. Muitas crianças, ausência de pais, quartos coletivos para dormir e banheiros também coletivos.

Fomos conversando com ela durante o final de semana dizendo que ela iria para uma escola em um período do dia. Dissemos as atividades que iria desenvolver, a função da escola e, principalmente, que no final o dia sempre iríamos busca-la.

Ficamos realmente tensos no dia um. Ela estava linda e radiante com seu uniforme e mochilas novos e uma fitinha amarela nos cabelos.

Chegamos na porta da escola e tocamos o interfone. Enquanto a pessoa vinha nos atender, nos abaixamos e conversamos mais uma vez com ela. Nós tensos, ela sorridente. A professora abriu a porta com um grande sorriso, desejou boas vindas e pegou na sua mão. Entramos logo atras e fomos até o meio do pátio. Nos sentamos em um banco e dissemos a ela: vá lá dentro conhecer seus novos amigos, esperamos você aqui. Ela foi entrando e não voltou mais. A professora voltou um tempo depois para nos dizer que ela estava brincando com os colegas e se quiséssemos poderíamos ir, em caso de problema ela nos ligaria.

Nos levantamos indo em direção a porta com um misto de orgulho, medo e pesar. Que legal ela lidar tão bem com isso! Como é segura essa danada! Poxa, ela não tá nem ai pra gente! Será que ela não se importa se voltarmos ou não? Ai ai …..

Passei a tarde grudada no telefone, que, adivinhem? Não tocou! Ela passou a tarde toda na escola nova numa boa.

Final do dia fomos, pai e mãe, pegar nossa pequena na maior expectativa do mundo. Quando chamamos pelo interfone a professora logo veio com ela, que, quando nos viu abriu um sorriso de ponta a ponta do rosto, saiu correndo na nossa direção gritando MAMÃE, PAPAI e nesse exato momento meu coração sossegou, nossa conexão já estava formada.

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