Um olhar distante

Dentre as muitas pessoas que entraram em contato após a notícia de que estávamos grávidos do coração, a grande maioria queria saber sobre o processo de adoção e sobre o perfil da criança desejada. Nessa hora você escuta umas coisas bem malucas. A maioria não por maldade, mas você descobre como esse processo é um mistério para grande parte das pessoas. Em algum momento deixamos de ser a Cris e o Agê de sempre e passamos a ser uma dupla que faz parte de uma sociedade altamente misteriosa que despertava uma curiosidade ímpar. Um misto de maçonaria com opus dei e cavaleiros templários kids.

O que mais ouvimos foi: vocês vão em um lugar e escolhem a criança? Não sei bem o que passa na cabeça das pessoas, mas é desconcertante imaginar que um ser humano adulto e racional pensa que você vai entrar em um pet human shop, escolher uma raça, ver se é fofinho e levar pra casa. Como eu disse, acredito que essa pergunta nasce do total desconhecimento do processo. Mas se você é amigo, parente, conhecido ou  talvez inimigo de alguém que está adotando e não sabe nada sobre o assunto (afinal ninguém é obrigado a saber), não fique fazendo conjecturas. Isso me faz lembrar daqueles quadros do Fantástico, quando vão as ruas perguntar para as pessoas o significado de uma palavra ou termo mais complexo e ela afirma um absurdo qualquer só pra mostrar que tem opinião, acabando por pagar um enorme mico. Então simplesmente pergunte: qual é o próximo passo? ou, como vão conhecer o futuro filho(a) de vocês? Tenho certeza que a pessoa irá responder para satisfação geral da galera.

Quanto ao perfil, aconteceu uma coisa interessante. Estávamos esperando as pessoas questionarem muito sobre a raça, mas isso não foi bem assim, as pessoas perguntavam mais sobre sexo e idade. Como isso é uma informação bem particular, a dica acima também é válida aqui, não tente ficar adivinhando,  simplesmente pergunte: qual o perfil da criança que estão esperando? Olha que simpático! Você dá a oportunidade dos pais responderem exatamente até que ponto desejam, sem entrar em pormenores que podem ser delicados ou indesejados.

Mais uma dica, só pergunte sobre esse assunto se você está realmente interessado em saber. Os pais adotantes estão passando por um singular processo de transformação emocional- intelectual- espiritual- hormonal e vão falar sobre o assunto até secar a boca. Bom senso cai um pouco em desuso e você quer contar pra todo mundo como está feliz na espera do sua filho(a). Ou seja, você vira um chato, melhor não dar corda.

Eu sei, eu sei, deveria ter começado esse blog logo nessa época. Até pensei em fazer isso, mas a cabeça estava a mil e acabei deixando a idéia de lado. Mais para frente volto a dar preciosas dicas sobre como conviver com pais adotantes. Não saia daí!

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Pode gritar gol?

Comentei em outro post que quando iniciamos o processo contamos pra família e para amigos mais próximos. Agora que terminamos o processo de “homologação”entendemos que deveríamos contar para todo mundo, abrir o jogo mesmo. Afinal, como você aparece de um dia pro outro com uma criança? Não queríamos tornar isso um tabu e além do mais, queríamos muito sentir como  seria uma possível recepção à chegada do nosso pequeno(a).

Antes de ser fotógrafo meu marido trabalhou muitos anos como redator. Amo a forma como ele escreve e admito que seus lindos bilhetes em lugares estratégicos ajudou bastante na conquista dessa apaixonada que vos fala. Pois bem, entendemos que nada melhor que colocar um post no Facebook. Temos vários amigos e conhecidos ali e, conhecendo o poder das redes sociais, entendemos que seria uma forma bacana de comunicar. E foi isso que ele escreveu com enorme sensibilidade.

No dia 5 de setembro de 2012 publicamos simultaneamente em nossos perfis o post abaixo:

“Depois de dez meses providenciando inúmeros documentos, passando por aprendizados, entrevistas e idas ao forum, fomos habilitados no processo de adoção. É o mesmo que fazer um teste de gravidez e dar positivo. A qualquer momento seremos acionados para conhecer nosso futuro filho ou filha. Pode ser rápido, pode demorar muito. Esperamos que seja breve, muito breve mesmo porque estamos absolutamente prontos para receber essa criança que já amamos antes mesmo de conhecê-la. Compartilhar essa alegria é uma forma de agradecimento a tantas pessoas queridas que acompanham esse processo e torcem pela gente. Toca telefone, toca :)”

Difícil descrever o que aconteceu, a reação das pessoas foi incrível. O post teve mais de 300 likes e cerca de 140 comentários. As pessoas ficaram muito emocionadas e recebemos um carinho enorme. Gente contando suas histórias, gente reclamando que não sabia desde o início, gente dizendo que estava chorando de emoção. Foi um alívio. Não que desejássemos uma aprovação para o que estávamos fazendo, mas energia boa é muito bem vinda e agora sabíamos que várias pessoas estavam também ansiosas esperando o telefone tocar  =)

 

Fim da primeira etapa

Como disse anteriormente, a psicóloga cumpriu o que prometeu, ela foi muito ágil na entrega do laudo. No final da semana seguinte á entrevista o processo foi encaminhado para apreciação do Ministério Público.

Essa também foi uma etapa surpreendentemente rápida. O processo foi enviado para o Ministério Público no dia 14/09/2012 e retornou com aprovação no dia 18/09/2012. Várias vezes, em visita ao Fórum, vimos jovens moças e rapazes arrastando carrinhos plataformas, como aqueles de supermercado, cheios de processos. De todos os tamanhos e de todas as idades. Pilhas quase intermináveis de papeis indo de lá pra cá. Eu sinceramente não sei como isso pode funcionar. Como as coisas não se perdem com grande frenquência. Sei que em algum momento nosso processo foi colocado naquele carrinho e no meio de uma imensidão de papeis foi analisado por alguém e devolvido com segurança. Ufa!

Eis que no dia 27 de setembro de 2012 é deferida a sentença favorável a nossa inscrição no Cadastro Nacional de Adoção. Consultei o processo online pouco antes de sair do trabalho, como fazia todos os dias. O coração começou a bater debaixo da língua. Uma loucura sem tamanho. Imprimi a certidão e sai correndo dali (correndo não que em breve seria mãe e agora teria que dirigir com cuidado). Parei no mercado e comprei uma champagne. Cheguei em casa com cara de idiota que já entregou tudo. Mostrei o papel para o meu marido e antes que ele começasse a chorar eu já abri a champagne pra brindarmos. Foi uma grande vitória,  11 meses cravados de processo de avaliação.

A partir daí a sentença foi registrada e remetida novamente para o Ministério Público que o devolveu no dia seguinte. Com isso passamos a ser pretendentes em potencial aguardando a tal ligação que mudaria nossas vidas.

Senta que lá vem ansiedade 😉

 

Cá entre nós

Durante esse processo ouvimos algumas coisas pelos corredores e também por meio de pessoas que já adotaram. São temas mais polêmicos e por isso prefiro não citar as fontes.

– CNA: o Cadastro Nacional de Adoção foi criado em 2008 para reunir crianças e pretendentes em um mesmo banco de dados. Assim, um juiz ou quem ele determinar a tarefa, poderá cadastrar crianças e pretendentes no sistema, assim como fazer o cruzamento de “fichas” de pretendentes que ele tem em mãos para buscar crianças com o perfil determinado. Diz a lenda, que a Vara tem até 30 dias úteis após a emissão da Homologação do pretendente para incluí-lo no cadastro. O que se diz pelos corredores é que cada Vara faz o possível para segurar essas “fichas”. Chegamos a escutar uma expressão: “vão fazer de tudo para que você fique com uma criança da própria Vara onde está realizando o processo antes que te joguem aos lobos”. Não sabemos realmente como isso funciona, mas entendemos que não existe padrão no nível de preparação dos candidatos e assim faz sentido que o fórum que te preparou entenda que avaliou bem, que o pretendente está apto e por isso o interesse em encaminhar crianças da própria jurisdição.

– Meus direitos: Recebemos conselhos para termos cuidados no dia da ligação e no dia de conhecer a ficha da criança. Ficou claro que alguns fóruns ou profissionais que neles trabalham “forçam a barra” para que o processo aconteça. Para isso as vezes se omite algumas informações que estavam na ficha como restritiva pelo pretendente. Está registrado que quer uma criança branca e  apresentam uma parda, quer até uma idade mas apresentam mais velho, quer saudável mas apresentam com algum problemas que tentam minimizar ou pior, está sinalizado apenas uma criança mas existe uma insistência para conhecer irmãos. Os pretendentes tem assegurado o direito de ser respeitado o perfil determinado em sua ficha. Não há porque ceder a qualquer tipo de intimidação. Caso isso ocorra o melhor a ser feito é encerrar o contato com a pessoa e buscar a coordenação do setor.  Esse foi o conselho que recebemos, mas ao ouvir essa possibilidade eu rezei muito para que somente o Fórum João Mendes entrasse em contato conosco. Após conhecer a juíza e o corpo técnico eu duvidava muito que passaríamos por isso.

– Alô!?: Nos disseram que pesa bastante na percepção da Assistente a reação do pretendente ao atender o telefonema de convite para conhecer a ficha de uma criança. Escutamos uma coisa bem legal a respeito: “é como se a bolsa tivesse estourado, não é possível que a pessoa que esteve por tanto tempo esperando isso não tenha uma reação emotiva”. Só que esse é o momento do jogo e treino é treino e jogo é jogo. Mesmo passando por todo o processo, na hora do vamos ver algumas pessoas “amarelam” e dizem coisas como: tenho uma viagem marcada, ou estou mudando de emprego, ou mas já? A mais engraça que escutei foi a pessoa receber uma ligação de outro estado e perguntar se o Fórum poderia mandar a criança para ela conhecer. Acho que se fosse comigo eu diria: claro, vc quer por sedex simples ou sedex 10? Se você realmente está preparado e levou isso a sério eu juro é um dos momentos mais desorientadores da sua vida. Dá vontade de gritar, de chorar, de ser ponderado pra não parecer maluco e dai até o momento de “nascer” melhor preparar o rivotril meu amigo.

– Nome: a psicóloga nos informou que a partir dos 6 meses de idade a criança já se reconhece pelo nome, por isso é aconselhável que o nome não seja mudado. É um choque pra criança que já está passando por tantas mudanças. Além disso, o nome é parte do meio onde a criança viveu, é uma marca da sua identidade. Legal, tudo faz muito sentido. Mas dai rola a paranoia: e se vier um Josecleisson ou uma Marisvalda? Desculpem as pessoas que tem nomes estranhos, mas pôxa, a vida já é tão difícil e dai nem o nome ajuda!? Eu conheci uma menininha de um ano no abrigo que se chama Riana, fala sério! Complicado a pessoa ser presidente do banco central  ou CEO de uma multinacional com um nome desses. Eu só pensava na ministra Elen Greice ai ai…. Decidimos então que se tivesse um nome muito bizarro nós colocaríamos um nome curto na frente tipo João ou Ana e com o tempo deixaríamos a criança conhecer o nome e se identificar como quisesse. Mas lá no fundo sonhava em não ter que lidar com mais essa questão: ter um filho chamado João Setembrino. Demos sorte. Afinal, Tamires é lindo 🙂

 

Segunda Entrevista

Voltamos no final da mesma semana para falar com a mesma psicóloga. Uma observação, vá se preparando quanto aos seus compromissos pessoais porque todas as visitas ao Fórum são dias de semana em horario comercial. Geralmente aquele que mata sua agenda, tipo 14:30hs, saca?!

Ela veio nos receber na porta e me convidou para entrar primeiro.  Quando sentei ela disse: Li sua entrevista com a Assistente e vi que você foi abandona pelo seu pai aos 9 anos de idade. Gostaria de saber um pouco mais como isso aconteceu. Eu perdi o chão! Havia dito que meus pais se separaram quando eu tinha essa idade e que minha mãe é uma mulher de muita fibra que criou eu e meu irmão com muito carinho e bla bla bla. Mas dai ela disse a palavra ABANDONADA. Me recompus rapidamente e disse que vez por outra tinha contato com meu pai. Mas dai ela rebateu: se ele não proveu alimento, lar, carinho e acompanhamento, você foi abandonada. Eu fui muito sincera e disse que nunca havia visto por essa ótica, mas que ela tinha razão. Então ela me perguntou como me senti a respeito disso na época e como me sinto hoje. Engoli o choro e disse que na época eu tinha muito medo do meu pai e de não ter pai, mas ao mesmo tempo sabia que precisava ajudar minha mãe e que tinha um irmão mais novo que também precisava de mim. Então decidi olhar pra frente e seguir da melhor maneira possível. Hoje em dia eu entendo que ninguém dá o que não tem e meu pai não tinha amor pra me dar. Paciência, isso acontece.

Ela pareceu contente com a resposta e depois dessa porrada conversou sobre minhas expectativas como mãe, disse: vi que você gosta muito do seu trabalho, como pretende organizar casa e carreira? Eu disse de bate pronto: como toda mulher faz hoje em dia. Me virando, correndo, me culpando, rebolando, como manda a cartilha da mãe moderna.

Ela também quis saber porque não tive filhos no meu primeiro casamento e perguntou muito sobre o tempo que a nossa sobrinha, a Giulia, morou conosco. Também perguntou muito sobre meu relacionamento com o Age. Coisas como: se costumávamos ir dormir sempre juntos, se nos falávamos durante o dia, o que eu mais gostava nele o que eu menos gostava nele e coisas assim.

Então ela fez outro alerta: você e seu marido parecem muito apaixonados um pelo outro, tenha zelo pelo seu casamento porque a chegada de uma pessoa nova sempre abala uma relação que já tem sua rotina. Conversem muito e tenham paciência um com o outro. Achei muito carinhoso da parte dela dizer isso e mais tarde, já pais e mães, vimos o quanto isso é necessário.

Depois de uns 50 minutos ela disse que havia sido um bom bate papo e me pediu para chamar meu marido. Ele entrou logo em seguida e ficou lá por cerca de 30 minutos. Senti uma inveja enorme da objetividade dele. Então ela chamou nós dois para informar os próximos passos.

Disse que a entrevista havia sido muito satisfatória e que ela entendia que estávamos plenamente preparados para termos um filho. Em uma momento totalmente informal disse na sequência: vejo muitas crianças rondando vocês, sinto que o filho está por perto, então vamos logo entregar esse laudo. Minha cara foi de total incredulidade, nem tive coragem de olhar pro lado pra ver a cara do meu marido. Em questão de segundos sai do Fórum e cai em uma consulta espiritual. Rapidamente ela voltou a ficar mais séria e relatou como as coisas se seguiriam.

O laudo dela seria anexado junto ao processo e seria enviado para apreciação do ministério público. Lá ele seria lido e analisado, como uma auditoria, para verificar se todos os passos haviam sido seguidos corretamente e se o corpo técnico havia emitido laudos coerentes. Após essa análise o processo voltaria para o Fórum onde a Juíza iria vê-lo por completo e então, entendendo que estava tudo correto, emitiria a certidão Habilitação para Adoção e assim estaríamos inscritos no Cadastro Nacional de Adoção a espera do nosso filho(a).

Perguntei então qual seria o próximo contato deles e ela deu uma gargalhada e disse: ué, para vocês virem aqui conhecer a ficha da criança! Nesse momento eu tive que me conter para não dar um abraço nela.

 

A Psicóloga

Demorei pra escrever esse post porque estava procurando por onde começar. Pra mim particularmente foi a etapa mais desgastante. Eu nunca fiz terapia ou fui a um psicólogo. Nasci em uma família muito humilde onde os problemas se resolviam na conversa ou na porrada. Nunca existiu a cultura de procurar uma ajuda profissional e também não havia dinheiro pra isso. Depois que cresci nunca senti necessidade de ir a um. Tenho curiosidade com terapia, mas nunca cheguei a fazer nada.

Eis que no dia 18/07/2012 lá estamos nós no Fórum João Mendes pra conversar com a psicóloga. Pra minha surpresa ela não era do tipo analítica. Muito risonha, era despojada e transmitia com expressões faciais tudo que pensava ou sentia enquanto conversávamos. Foram duas entrevistas, na primeira estávamos eu e meu marido juntos. Ela estava com o laudo da Assistente Social em mãos e nos fazia perguntas baseada no que estava escrito no documento.

Começou dizendo: vocês afirmam no documento que cada um tem um sobrinho bem pequeno, inclusive a criança um pouco maior chegou a morar com vocês um tempo. Dissemos que sim. Foi uma experiência muito intensa que durou poucos meses mas que nos deu a certeza que gostaríamos de ter um filho. Ela disse então: vocês tem plena consciência que não será uma criança como essas lindos pequenos que são da família, certo? E prosseguiu: Existe um perigo grande em projetar na criança adotada outras crianças que  vocês conheçam. A criança que virá já tem uma história e muito provavelmente de sofrimento. Talvez não seja uma criança que corresponda aos padrões de beleza sociais ou mesmo não seja dócil e amável a primeira vista. Mas eu pergunto a vocês, será que nós seriamos atraentes para adoção? Eu por exemplo, sempre fui muito atrasada na escola e minha mãe vivia as turras comigo. Olhando para mim perguntou, você acha que seria facilmente adotada? Eu sorri e disse que duvidava muito. Eu era atrevida e muito arteira, raramente obedecia. Então ela me disse: acredito que mesmo assim sua mãe te criou com carinho e disciplina e não te deu remédios ou outro tipo de subterfúgios para fugir a um comportamento que é normal em uma criança. Então, a primeira coisa que quero deixar claro pra vocês é que avaliem suas expectativas porque o trabalho só vai começar mesmo quando o filho de vocês chegarem.

Em seguida ela fez perguntas gerais sobre a convivência familiar, carreira e visão de futuro de ambos. Parecia conferir se nossas informações batiam com o anotado pela Assistente. Foi bastante cansativo. Mas ela era uma pessoa agradável e fazia o possível para tornar a sabatina um pouco menos penosa.

Mais no final da conversa ela pegou nossa Ficha de Pretendentes a Adotantes e começou a rever todos os itens. Perguntou se era apenas uma criança mesmo. Perguntou porque de zero a quatro anos, como havíamos definido essa faixa. Perguntou sobre raça e voltou a alertar que nossa escolha provavelmente nos levaria a uma criança negra e que deveríamos nos preparar com ainda mais cautela para enfrentar os desafios da adoção interracial. Perguntou sobre as doenças físicas e psicológicas. Voltou a alertar que é difícil definir o que é leve, curável, tratável. Salientou que é importante analisarmos com cuidado a ficha da criança que nos fosse apresentada e principalmente conhece-la antes de chegar a uma conclusão. Ela disse que a fala é um dos desenvolvimentos mais afetados em crianças que vivem em abrigo. Muitas tem problemas de aprendizado também, mas isso se deve em grande parte a falta de carinho e atenção especial e que a grande maioria após acolhido por uma família passa a ter desempenho dentro dos padrões.

Após anotar algumas coisas, nos informou que o proximo passo era uma entrevista individual. Uma amiga já havia nos dito que sempre fazem mais de uma entrevista na psicologia, em alguns casos podem chegar a mais de cinco. Então minha impaciênica falou mais alto e eu disse que esperamos três meses para sermos chamados pela psicologia e eu gostaria de pedir se era possível marcar logo essa nova etapa, inclusive os dois para o mesmo dia. Acho que pedi com tanta educação e minha aflição era tão sincera que ela agendou pra mesma semana, uma entrevista seguida da outra.

Sai de lá um pouco mais aliviada. Primeiro porque as coisas voltaram a andar, segundo porque foi menos assustador do que inicialmente eu imaginava.